segunda-feira, 29 de dezembro de 2008


NÚMEROS & NÚMEROS

Adoro números. Os números sempre andaram e andam atrás de mim. Ou vice-versa. Quantas vezes sou eu que ando no encalço deles. Estatísticas, percentagens, tabelas e classificações, são pinturas impressionistas para os meus olhos. Maravilhas das maravilhas

Quando andava na escola nocturna (década de oitenta) eu era o maior em matemática. Eu era 1,70 de contas, pesos e medidas. Fui sempre um barra. Mas isso foi no tempo em que os profes ensinavam alguma coisa. Foi nesta matéria que alcancei os melhores resultados de sempre. Rebentei todas as escalas de valores. Só “bintes”.

Mas nem por isso sou técnico de contas. Nem contabilista. Muito menos gestor financeiro. Sou é guarda-livros, embora os livros que tenho guardados não se possam comparar em número, com os que têm, por exemplo, o Pacheco Pereira ou o Marcelo Rebelo de Sousa.

Apesar de gostar de fazer contas… à vida, não tenho grande pachorra, por exemplo, para ir atrás dos números e das contas do orçamento que a Câmara Municipal apresenta todos os anos, um pouco antes do natal. Há quem diga que esses números são manipulados, são mentirosos, não espelham a realidade das coisas. E eu não vou por aí.

Os meus números são outros. São números capazes de provocar algum sorriso, algum embaraço e até laivos de revolta perante alguma injustiça que eles podem traduzir. São números que teimosamente vão bailando no meu salão de festas.

Então, e sem obedecer a qualquer ordem numérica ou cronológica, aqui vai um cacharolete deles: 201 era o número de assessores da Câmara Municipal de Lisboa. 78 era o número desta tropa fandanga em volta do seu presidente na altura, Carmona Rodrigues. 3500 era o número de euros que alguns desses assessores ganhavam num mês. 800 é o número de euros que um juiz recebe mensalmente de subsídio de habitação, quer tenha casa própria ou não. 425 é o número de euros (generoso, na perspectiva de Vítor Constâncio) do subsídio de desemprego. 435.000 é o número de pessoas sem emprego. 2.000.000 é o número de cidadãos portugueses que vivem no limiar da pobreza. 100.000 (fora a tríade, pai, mãe e filho) é o número de profes-excursionistas que de vez em quando vão avaliar as ruas de Lisboa. 500 é o número de contos, com que um meu amigo professor se aposentou, com 36 anos de serviço. 327 é o número de euros com que um outro meu amigo, se reformou depois de 50 anos a trabalhar. E 3 é o número de reformas de Cavaco Silva, neste momento. Belos estes números.

Depois há aqueles números que, não tendo conhecimento da sua exactidão, podemos falar deles assim:

Uma pipa delas, foi o número de tigelas e canecas “Sentir Penafiel” vendidas na “tasca dos borrachões”, pelo S. Martinho em Novembro passado. Um comboio deles foi também o número de cachecóis “Sentir Penafiel” com que a Junta de Freguesia desta cidade brindou os seniores que foram comer à custa dos parolos, agora pelo natal. Sei lá bem quantos, é o número de papa-chiclas espalhados inutilmente pela cidade. Uma data deles, foi o número de dias que a Câmara Municipal de Penafiel dedicou ao escritor Urbano Tavares Rodrigues. Praí ou mais, é o número de anos de atraso que a abertura do novo Museu Municipal já leva. Incrível é o número de incorrecções detectadas num livro penafidelense que ando a ler. Milhentas é o número de placas inaugurativas e de lançamento de primeiras pedras, que o nosso presidente da câmara municipal, Alberto Santos já descerrou, desde que há 7 anos chegou ao poder.

Voltando aos números exactos, vamos recordar que: 200 foi o número de camionetas que levaram 5000 avós comer 11 porcos em Pombal, no dia 26 do 7 de 2008. Que 7 é o número de placas toponímicas com erros ortográficos, que ninguém quer saber. 7,5 é número de anos em que o local do antigo cinema nos parece algo de fantasmagórico. 1 é o número de Magalhães com quem eu não vou à bola. 2 é o número de pracetas na mesma praça (na Vila Gualdina). 190 é o número de caracteres inscritos na placa inaugurativa (de uma obra ainda a meio) na urbanização de Penas. 70 é o número de euros gastos inutilmente por cada sessão e por cada um dos 38 deputados municipais (presidentes de Junta) que apenas vão à Assembleia Municipal fazer sala.

Como se vê, números é comigo. Ainda faltam alguns, que ficarão para uma próxima oportunidade porque este texto já vai longo.

Eu nem sei como é que resisti em não voltar a falar das famigeradas facturas da água que a nossa em(bandeira)da empresa municipal “Penafiel Verde” nos enviou este ano. 13 é o número do azar para os consumidores penafidelenses. E o mesmo 13 é o número da sorte para a empresa que o Dr. Mário Magalhães lidera (lidera, vá-se lá saber porquê).

Também vou resistir à colocação aqui mais uma vez, da excelente frase do Urbano Tavares Rodrigues, que está gravada e muito bem, no centro da cidade. Só falta a “Penafiel Verde” enfiar a carapuça.

Reparem na bela foto de uma Penafiel bem bonita. Dá vontade de cantar uma canção antiga, pouco conhecida que passava na Rádio Clube do Norte em tempos que já lá vão:
Ó minha terra / onde eu nasci / quantas saudades / eu tenho de ti…


P.S. A foto é de autoria do saudoso Antony

1 comentário:

Orlando Oliveira disse...

Foto bem bonita por sinal.
Uma reliquia que deixou de existir na nossa Lindissima Terra.
E por falar em números: Sabe há quantos anos fois destruido o Mercado? E sabe quem mandou destruir? E porque motivo mandou destruir?
E por falar em reformas: Sabe quantas reformas tem o seu antigo lider, o Eng. Gonçalves, antigo presidente da câmara de Penafiel.
É só uma questão de tempo e disposição e todos ficamos com vocação para os números...