terça-feira, 13 de janeiro de 2009


SOU DE OUTRAS COISAS

Este é o título de uma canção de Fernando Tordo. É um belo poema. É um poema onde me revejo, onde me projecto, onde a partida e a chegada convergem para uma encruzilhada que nunca sei onde fica. Só sei que a agitação é enorme e a felicidade intermitente. Tudo por acabar. É isso…

Hoje vou dar uma de intelectual. Vou começar por baixo. Vou falar de futebol, vou falar de Cristiano Ronaldo. Depois, subo uns patamares e falarei de cultura. De música melhor dizendo, ao falar de Joana Carneiro.
Cristiano Ronaldo, alguém conhece? Dou um doce a quem o não conhecer. E Joana Carneiro, alguém sabe quem é? Dou um doce a quem souber.
Se Cristiano Ronaldo como jogador não me aquece, como pessoa só me arrefece. Sei quem ele é, mas passa-me de todo ao lado.
Como pessoa, ouço e vejo através da comunicação social foleira, que ganha muito dinheiro, numa Europa falida. Que anda com este ou aquele “borracho”. Que foi visto junto doutra “gaja” quando a anterior ainda lhe está no canto do olho. Que gasta milhões em automóveis e com a sua marca CR7. Dele, não vejo o que quer que seja que me interesse. Não me senti orgulhoso pelo título da bola que alcançou. Não comunguei da mesma satisfação de muitos portugueses. Ele não me passou ao lado, ele passou-me foi muito longe. Mas vi muitíssima gente a curvar-se diante deste sujeito que me faz lembrar o clã Carreira, pela maneira como arrasta multidões em histeria. Tal como a música pimba o futebol vende bem. O país da boca aberta fez muito restolho em volta desta figura.
Como futebolista, não posso ter grande opinião, na medida em que a jogar só o vi fazê-lo pela selecção portuguesa. E aqui ele tem sido um zero rotundo. Entretanto, eu sei que ele joga num clube estrangeiro e aqui parece que se sai bem melhor. Normalmente não vejo jogos internacionais. CR7, para mim é zero.
Não gosto de facto de Cristiano Ronaldo. Não me faz lembrar que é português. Gosto francamente muito mais de uma Rosa Mota, de um Carlos Lopes, de uma Fernanda Ribeiro ou de uma Vanessa Fernandes. Aqui sim, aqui sinto-me bem, vestido de verde e vermelho. Tanto, que às vezes a emoção bate à porta.
E se eu recordar aqui os nomes de outros portugueses que na estranja também dão cartas? Só que aqui não se fala muito deles, pois não. Não são futebolistas. Desconheço de todo se Maria João Pires, Joaquim de Almeida, Manuel de Oliveira, Maria de Medeiros, Madre de Deus, ou Clara Pinto Correia ganharam bolas ou taças de ouro. Ou se fizeram parte de algum “onze ideal”.

Mas se se falar em Joana Carneiro estamos a falar de alguém que me faz sentir bem português. Estamos a falar de uma maestrina. De uma senhora de 30 anos que vai dirigir a partir de Setembro a Orquestra Sinfónica de Berkley na Califórnia nos Estados Unidos.
Será preciso dizer mais alguma coisa. Acho que não.

Ó pra mim todo vaidoso por isso.

A ARROGÂNCIA

Quando caiu neve, toda a gente gostou. Foi tudo muito bonito. Todo o mundo se equipou de máquina fotográfica e toca de tirar umas fotos, para ficar para a posteridade. Eu também o fiz. Corri para o nosso ex-líbris, o Sameiro e registei algumas imagens muito giras.
Só que nos dias seguintes, e dada a acumulação de gelo, os passeios da cidade estavam um tanto escorregadios, criando algumas situações embaraçosas e perigosas para a saúde dos transeuntes.
Era este o tema da conversa de alguns amigos, ali junto ao Café da Sociedade, na passada segunda feira de manhã. Entretanto, um político bastante conhecido na cidade, passa e entra na conversa. Eu, dizia a determinada altura que a câmara municipal em colaboração com os bombeiros deviam ter feito alguma coisa no sentido de tornar os passeios transitáveis, nem que fosse à mangueirada. O tal político riu-se do que eu disse, virou-me as costas e despachou-me assim: “você só sabe dizer mal, saiba dizer mal”. Foi um mimo de elegância e educação.
Esse político, arrogante até dizer basta, muito conhecido na cidade, achou que eu estava a asneirar, quando disse que com água se podia limpar os passeios do gelo acumulado.
Eu só pergunto a esse arrogante político, o que é que se usou há tempos, para tirar as marcas dos chiclas dos mesmos passeios? Lembram-se que até teve honras de televisão. Lembram-se daquela maquineta que afinal não deu resultado e depois veio uma empresa para fazer a limpeza das pastilhas elásticas do granito? E aquilo não representava qualquer perigo para a saúde pública. Claro que para a neve, nem era preciso tanta pressão na água. Estou convencido que na ausência do sal, umas valentes mangueiradas teriam resolvido o problema. Aliás uma chuvada na noite de segunda para terça, provou isso. Desapareceu todo o gelo que ainda existia nos passeios. Por isso, acho que o pelouro camarário ligado à protecção civil e os bombeiros não estiveram à altura dos acontecimentos.
Reconheço que a câmara municipal esteve bem, quando mandou fechar o trânsito em ruas com inclinação acentuada. Mas para o serviço ter ficado completo devia ter-se preocupado com o gelo nos passeios.
Quanto ao “educado” político muito conhecido na cidade, só digo que, mais grave do que dizer mal, é fazer pior.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009






Um encanto, Penafiel vestida de branco!

sábado, 3 de janeiro de 2009


COMPLEXOS DO LIXO

Um pouco antes do Natal, os penafidelenses foram confrontados com um AVISO camarário que foi colado em tudo quanto é sítio. Foi um igualzinho ao que acompanha este pequeno texto. A determinada altura, o aviso dizia que nos dias 24 e 31 de Dezembro a Recolha Nocturna seria realizada entre as 14 e as 19 horas. Assim sem mais. Eu não percebi nada. Mas recolha de quê? Seria de seringas, de sangue, de sócios ou de assinaturas? Sim, porque há muitos tipos de recolhas. Lixo não seria certamente.
Mais à frente também podia ler-se que nos dias 25 de Dezembro e 1 de Janeiro não se efectuaria recolha de RSU.
Mas afinal, o que é que quer dizer recolha de RSU?Seria recolha de Rabanadas, Suspiros e Uvas? Seria recolha de Roupas e Sapatos Usados? Seria recolha de Rosas, Sorrisos e Urtigas? Ou seria afinal, recolha de Rifas, Sorteios e Utopias? Acho que não. Às tantas seria recolha de Resíduos Sólidos Urbanos.
Ó Sr. Dr. Antonino de Sousa, vereador do ambiente, creio que foi do seu pelouro que esta “pérola” saiu. Custa alguma coisa escrever a palavra LIXO? É portuguesa a palavra com certeza e não deve ir para o caixote do lixo.