segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O SANTO NATAL DA "PENAFIEL VERDE"



Um dia destes, recebi da empresa municipal Penafiel Verde (PV), o desejo de um SANTO natal. Só que juntamente com esta santa ternura, vinha também a 13.º factura de água desta empresa neste ano.

Eu para ter um bom natal não preciso de santos. O que eu preciso para ter uma quadra natalícia razoável é ter gente à minha volta e na mesa consoal, um pouco daquilo a que todos nós temos direito.

Como pode uma empresa, que por acaso é municipal, desejar um SANTO natal, quando vai ao bolso dos consumidores com o envio de uma factura a mais. Já o tinha feito no ano passado. Em 2007 a PV enviou também 13 facturas. A do ano passado e a deste ano foram para compensar as duas que não tinham sido enviadas em 2006.
Eu volto a dizer que o não envio das ditas facturas em 2006, não foi da responsabilidade dos consumidores. Como tal, não devia haver lugar ao pagamento de tais facturas que faltaram.
Eu peço desculpa pelo peso da palavra. Mas foi um assalto, que fizeram aos consumidores desta terra.

Como se sabe, os preços das taxas de 2006 referentes à do aluguer de contador (ou mais modernamente, taxa de disponibilidade doméstico) e do tratamento do lixo (não contabilizando as taxa do saneamento e o consumo da água), eram bem mais baixas que as praticadas em 2007 e 2008.

Em 2006, o aluguer do contador custava 1,50. Em 2007, já custava 2,35 (média) e em 2008 custa 2,85 (média). O tratamento do lixo em 2006 custava 3,00. Em 2007, custava 4,31 (média) e em 2008 o preço é de 5,00.

Como as duas facturas que foram enviadas a mais, vieram com os preços de 2007 uma, e com os preços actuais outra, é só fazer as contas às diferenças, para saber o quanto a PV meteu ao bolso indevidamente e impunemente.

No que diz respeito à taxa de disponibilidade doméstico temos: 2.35 – 1,50 = 0,85 x 17000 consumidores = 14450,00 em 2007.

Depois temos: 2,85 – 1,50 = 1,35 x 17000 consumidores = 22.950,00 em 2008.
Quanto à taxa do lixo, aqui vai:
4,31 – 3,00 = 1,31 x 17000 consumidores = 22.270,00 em 2007. Depois temos 5,00 – 3,00 = 2,00 x 17000 = 34.000 em 2008.

Ainda temos a subida dos preços da água e as taxas de saneamento que vou ignorar, por não serem de fácil contabilização, mas que se fossem somadas, daria uma pipa de dinheiro para os cofres da famigerada empresa que só mete água.

Somando as várias parcelas atrás descritas, temos então que: 14.450,00 + 22.950,00 + 22.270,00 + 34.000,00 = 93.670,00.

Quase 20.000 contos que a Penafiel Verde meteu ao bolso e não devia.

O Dr. Mário Magalhães não teve a sensibilidade de resolver o problema dos atrasos da sua empresa, através do envio da 13.ª factura de 2007 e 2008 com os preços de 2006. Isso é que era bom. 20.000 contos já dá para muita coisa. Se calhar para pagar algumas “bandeiras”, que se pavoneiam numa empresa paga pelos contribuintes.

A Penafiel Verde tratou mal os seus consumidores. A Penafiel Verde atentou contra os seus consumidores. Eu não sei se esta história poderia ser alvo de uma acção jurídica, ou no mínimo dar conhecimento à DECO.

Sr. Dr. Mário Magalhães isto não se faz. Com esta atitude o Sr. Dr. só mostra não estar à altura do cargo para o qual não foi eleito. A sua nomeação faz-me lembrar aquela do Durão Barroso quando foi para presidente da Comissão Europeia. Só com uma gargalhada é que se pode entender.

O Sr. Dr. Mário Magalhães, fez dos consumidores uns autênticos papalvos. O Sr. Dr. Mário Magalhães quando olha para nós consumidores só vê votos (aquando das eleições) e números todo o ano.

Depois vem desejar-nos um SANTO natal. Ao que chega a hipocrisia. Isto foi mau demais para ser verdade. Só que de facto é verdade.

Razão tem Urbano Tavares Rodrigues, o tal escritor que a Câmara de Penafiel levou ao colo em Outubro passado, quando diz a frase que está gravada no granito da zona lateral da Avenida Sacadura Cabral. “Não andei pela vida sozinho. Gostei das pessoas, detestei algumas, ainda hoje detesto as que se nutrem do suor e da morte de criaturas que para elas são apenas números”.

A Câmara Municipal, ao destacar e gravar em Penafiel esta frase do conhecido escritor, foi mestre. Serve-lhe às mil maravilhas. Bem pensado, não há dúvida.

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